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Id, Ego e Superego: a estrutura e dinâmica da personalidade segundo Freud

Por Arq. Me. Iberê Moreira Campos equipe


Sigmund Freud é considerado o criador da psicanálise e psicologia modernas por vários motivos. Apesar das críticas a alguns conceitos, é inegável sua contribuição para o melhor entendimento da mente humana que permitiu inclusive o aparecimento e o desenvolvimento de outras ciências. Dentre os vários conceitos e descobertas de Freud, uma das mais conhecidas e utilizadas é o de Id, Ego e Superego. Conheça e entenda melhor este modelo de representação do nosso intelecto.

Freud viveu numa época de intensa atividade intelectual, tendo a oportunidade de conviver com pessoas que fizeram história, principalmente no campo da filosofia e das ciências humanas. Um de seus grandes méritos foi entender as teorias dos contemporâneos, interligá-las e a partir disto criar coisas novas, segundo suas próprias experiências e pensamentos. Neste processo, acabou criando um modelo de funcionamento do aparelho psíquico do ser humano que permitiu o estudo científico em cada um destes aspectos, com grandes desdobramentos nas técnicas utilizadas para compreender o funcionamento e melhor o bem-estar das pessoas, ao tratar adequadamente cada aspecto dos distúrbios que podem ocorrer em nossas mentes.

O modelo da mente humana

Este modelo de funcionamento da mente humana foi introduzido na obra Além do princípio do prazer (título original Jenseits des Lustprinzips, tendo sido aprofundado e detalhado posteriormente no livro O Ego e o Id (título original Das Ich und das Es). Publicado em 1923, esta obra é fruto de um estudo meticuoloso conduzido ao longo de anos de pesquisa, onde Freud faz a análise da psique humana definindo a teorias da dinâmica entre o id, o ego e o superego. Em termos gerais trata-se do seguinte:

Id – O Id é a fonte da energia psíquica de uma pessoa, de origem orgânica e hereditária e que, segundo Freud, estava ligada principalmente à libido, isto é, o impulso sexual. O Id se apresenta na forma de instintos que impulsionam o organismo, estando relacionado a todos os impulsos não civilizados, de tipo animal. O Id não tolera tensão, se a tensão atinge certo nível o Id age no sentido de descarregá-la. O Id é regido pelo princípio do prazer, ou seja, sua função e procurar o prazer e evitar o sofrimento. Localiza-se na zona inconsciente da mente, por isso não conhece a realidade objetiva, a “lei” ética e social, que nos prende perante a determinadas situações devido às pressões do mundo externo.

Ego – Este termo significa “eu” em latim. O Ego é o responsável pelo contato do psiquismo com a realidade, o mundo externo ao indivíduo. O Ego atua de acordo com o princípio da realidade, estabelecendo o equilíbrio entre as reivindicações do Id (inconsciente) e as exigências do superego com relação ao mundo externo. O Ego é o componente psicológico da personalidade, cujas funções básicas são a percepção, a memória, os sentimentos e os pensamentos. Localiza-se, portanto, na zona consciente da mente.

Superego – Atua como censor do Ego. É o representante interno das normas e valores sociais que foram transmitidos pelos pais através do sistema de castigos e recompensas impostos à criança. Ele é estruturado durante a fase fálica, quando ocorre o Complexo de Édipo (também chamado de “Complexo de castração”. É nesse momento que a criança começa a internalizar os valores e as normas sociais. São nossos conceitos do que é certo e do que é errado. O Superego nos controla e nos pune (através do remorso, do sentimento de culpa) quando fazemos algo errado, e também nos recompensa (sentimos satisfação, orgulho) quando fazemos algo meritório. O Superego procura inibir os impulsos do Id, uma vez que este não conhece a moralidade. O Superego é, portanto, o componente moral e social da personalidade. As principais funções do Superego são inibir os impulsos do Id (principalmente os de natureza agressiva e sexual) e lutar pela perfeição.

Estes conceitos parecem muito abstratos, mas podemos utilizar um exemplo bem conhecido para facilitar sua compreensão:
  • Se dependesse do Id, o empregado deixaria de comparecer ao trabalho num belo dia ensolarado, dedicando-se a uma aprazível atividade de lazer como ir à praia ou a um parque.
  • O Ego aconselharia ter mais prudência, talvez buscando uma oportunidade mais adequada para essas atividades, enquanto que
  • O Superego diria ser inaceitável faltar com um compromisso assumido, com o empregados, o chefe e os colegas de trabalho.
Deste contínuo relacionamento entre estas três forças da mente humana é que surgem os conflitos e distúrbios psicológicos, pois o Superego é repressor e moral, enquanto que o Id é movido pela busca incansável do prazer, e o Ego fica tentando arbitrar os inevitáveis conflitos entre o que a pessoa quer fazer e o que ela deve fazer.

Os três sistemas da personalidade não devem ser considerados como fatores independentes que governam a personalidade. Cada um deles têm suas funções próprias, seus princípios, seus dinamismos, mas atuam um sobre o outro de forma tão estreita que é impossível separar os seus efeitos.

Níveis de Consciência da Personalidade

Para Freud, os três níveis de consciência são: consciente, pré-consciente e inconsciente. Em suma, é mais ou menos assim:

Consciente – inclui tudo aquilo de que estamos cientes num determinado momento. Recebe ao mesmo tempo informações do mundo exterior e do mundo interior.

Pré-consciente – (popularmente conhecido como sub-consciente) se constitui nas memórias que podem se tornar acessíveis a qualquer momento, como por exemplo, o que você fez ontem, o teorema de Pitágoras, o seu endereço anterior, etc. É uma espécie de “depósito” de lembranças a disposição, quando necessárias.

Inconsciente – estão os elementos instintivos e material reprimido, inacessíveis à consciência e que podem vir à tona num sonho, num ato falho ou pelo método da associação livre. Os processos mentais inconscientes desempenham papel importante no funcionamento psicológico, na saúde mental e na determinação do comportamento.

A analogia entre um iceberg e o modelo Freudiano

A estrutura do inconsciente segundo Freud tem sido constantemente comparada a um iceberg. Como se sabe, estes blocos de gelo flutuam nos oceanos gelados deixando apenas 10% de seu volume para fora da água.

Algo parecido acontece com a mente humana, onde a maior parte de seu conteúdo (se é que podemos chamar assim) fica submerso, enquanto que a menor parte é que fica aparente para ser percebida pelo mundo externo como se fosse a própria pessoa.

Da mesma forma, o inconsciente fica lá nas profundezas da mente, enquanto que o consciente fica na atmosfera, isto é, na parte onde os seres humanos convivem. Existe uma pequena área próxima à superfície que é o pré-consciente, aquela parte da mente que fica meio esquecida mas que basta um pequeno estímulo para aflorar à luz do dia.

A forma como o superego controla o fluxo de sensações e conteúdo entre o inconsciente e o ego é que vai definir como a pessoa reage nas mais diversas situações, sempre tentando atender ao princípio de prazer do Id e o senso de realidade do Ego, mediado pelo senso de moral do Superego.

Este processo vai sempre deixar descontente uma das partes, é impossível atender à realidade e a todos os desejos de prazer, sendo moral o tempo todo. Surgem daí as diferentes sensações de mal-estar íntimo que, quando mal administrados pela mente, fazem com que surjam as diversas doenças mentais.

Publicado em 08/06/2009 às 08:38 hs, atualizado em 01/07/2016 às 10:53 hs


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