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Acupuntura, ciência milenar a serviço de sua saúde física e mental

Por Ellie Crystal equipe


A acupuntura é uma terapia que consiste em inserir no corpo do paciente agulhas muito finas, da grossura de um fio de cabelo, em locais conhecidos como “pontos de acupuntura” localizados ao longo dos chamados “meridianos”. A intenção é balancear o funcionamento do organismo, aumentando o fluxo da energia vital “Qi” através dos corpos físico, emocional e espiritual. A acupuntura existe há milênios e tem sua eficiência comprovada, mas deve ser feita apenas por profissionais devidamente treinados e capacitados, para evitar os efeitos adversos que podem acontecer eventualmente.

A palavra “acupuncture” vem do latim “acus”, que significa “agulha”, e “punctum, que significa picada ou punção. É um dos principais ramos da Arquitetura Tradicional Chinesa, sendo que os outros são a medicina com ervas e o Tui Na, que é uma espécie de massagem. Assim, a acupuntura é um tratamento terapêutico inserido neste contexto de restaurar a saúde e o bem-estar.

O termo acupuntura pode ser utilizado por nós, ocidentais, como uma referência geral à medicina chinesa. A técnica envolve a inserção de agulhas nos “pontos de acupuntura” no corpo, feito por terapeutas treinados. As agulhas usadas atualmente são feitas de aço inoxidável com diâmetro entre 0,05 a 0,1 mm.

Apesar da eficiência clínica desta prática ainda estar sendo debatida no ocidente, a teoria tradicional que está por trás deste mecanismo não tem as mesmas bases usadas nos conceitos científicos da fisiologia e, assim, são considerados pelos seus críticos como sendo uma pseudociência. Muitos de seus praticantes e proponentes a utilizam de uma maneira clínica moderna, entretanto a acupuntura e as práticas a ela relacionadas vão de encontro aos conceitos modernos da ciência ocidental.

História da acupuntura

Na China, a prática da acupuntura pode ser traçada até muito tempo atrás, tão longe quanto no primeiro milênio antes de Cristo. Evidências arqueológicas sugerem que começou no período da dinastia Han (de 202 AC a 220 DC). A prática espalhou-se nos próximos séculos em muitas partes da Ásia. Nos tempos modernos, é um dos componentes da medicina tradicional chinesa (MTC), e variantes são descritas na literatura da medicina tradicional coreana, onde é chamada de “chimsul”. Também é importante no “Kampo”, o sistema tradicional de medicina japonesa.

Exames recentes feitos no Otzi, uma múmia natural de 5.000 achados nos Alpes, identificaram que seu corpo tinha mais de 50 tatuagens, muitas das quais localizados nos pontos de acupuntura que, hoje em dia, seria usados para tratar dos problemas de saúde dos quais ele sofria. Alguns cientistas acreditam que esta é uma evidência de que as práticas de acupuntura foram praticados em algum tempo remoto na Eurásia desde, pelo menos, o início da era do bronze (3300 a 1200 AC).

Um dos usos mais contundentes da acupuntura, e talvez um dos mais conhecidos no ocidente, é o uso da acupuntura como anestesia. Todo tipo de procedimentos médicos é feito atualmente na China com pouca ou nenhuma anestesia química. Este fato foi muito evidenciado no ocidente no final dos anos 70, durante uma muito noticiada visita do presidente dos EUa Richard Nixon à China. Na ocasião, um dos membros da comitiva presidencial teve uma crise de apendicite, que precisou de cirurgia. Durante o ato cirúrgico, a anestesia foi feita unicamente com acupuntura. Quando este assessor retornou aos EUA começou a contar sua agradável experiência para todos. Esta publicidade acidental ajudou a divulgar e facilitar a aceitação da acupuntura nos EUA e em todo o ocidente, inclusive no Brasil.

Princípios de funcionamento

A acupuntura trata o corpo humano como um todo e envolve diversos “sistemas funcionais” que são em muitos casos associados com (mas não identificados na base do um-a-um) com os órgãos físicos. Alguns destes sistemas funcionais, como o “triplo aquecedor” (Sin Jiao) não têm correspondência alguma com um órgão físico.

Os distúrbios são entendidos como a perda do equilíbrio entre os órgão correspondentes, e o tratamento é feito pela modificação da atividade de um ou mais sistemas funcionais através de ações físicas como agulhas, pressão e calor nas partes sensíveis do corpo chamados de “pontos de acupuntura (xue, em chinês).

Estes pontos de acupuntura estão localizados ao longo de doze meridianos principais e oito extras, localizados em todo o corpo. Dez dos meridianos principais recebem nomes dos órgãos (coração, fígado, etc) e os outros dois recebem o nome do sistema funcional (protetor do coração ou pericárdio, e triplo aquecedor). Entre os meridianos extras, os dois mais importantes estão entre as partes anterior e posterior do tronco e cabeça.

Os doze meridianos principais são verticais, bilaterais e simétricos, sendo que cada canal corresponde e se conecta internamente com um dos doze órgãos (Zang Fu). Isto significa que existem seis canais yin e seis yang. Há também seis canais yin e seis yang em cada braço, e três yin e três yang em cada perna. Os três canais yin da mão (pulmão, pericárdio e coração) começa no peito e percorre a superfície interna (principalmente na porção anterior) do braço até a mão. Os três canais yang da mão (intestino grosso, San Jiao e intestino delgado) começam nela e percorrem a superfície externa (principalmente na porção posterior) do braço até a cabeça.

Os três canais yang do pé (estômago, vesícula biliar e bexiga) começan no rosto, na região dos olhos, e percorrem o corpo ao longo da superfície externa (principalmente pelas porções anterior e lateral) da perna até chegar nos pés. Os três canais yin do pé (baço, fígado e rim) começam no pé e percorrem a superfície interna (principalmente posterior e média) da perna até chegar no peito ou ombro. O movimento da energia vital (qi) através de cada um destes doze canais percorre um caminho externo e outro externo. O caminho externo é o que é mostrado normalmente nos gráficos de acupuntura, e é relativamente superficial. Todos os pontos de acupuntura de um canal ficam no caminho externo. Os caminhos internos são profundos, pois entram nas cavidades do corpo e chegam até os órgãos Zang-Fu a eles relacionados.

A medicina tradicional chinesa sustenta que a acupuntura funciona ao normalizar o balanço da energia vital (“qi”) que circula no corpo. As dores e doenças são tratadas ao remediar os acúmulos ou deficiências sistêmicas do qi. A dor é considerado um indício de bloqueio ou estagnação à circulação do qi, sendo que um dos axiomas da literatura médica da acupuntura é resumido no ditado “sem dor, sem bloqueio; sem bloqueio, sem bloqueio”.

Muitos pacientes relatam que experimentaram o estímulo conhecido em chinês como “deqi” (isto é, “obtendo o qi”). Este tipo de sensação foi considerado historicamente como sendo a evidência da localização efetiva dos pontos desejados. Atualmente, existem alguns dispositivos eletrônicos que fazem um pequeno ruído quando pressionados sobre os pontos de acupuntura “corretos”.

O acupunturista é quem decide que pontos vai tratar ao entrevistar o paciente enquanto, ao mesmo tempo, utiliza os recursos de diagnóstico da medicina chinesa, que incluem observação da reação ao toque em pontos específicos dos pulsos, assim como na análise da língua, verificando sua textura, cor e a presença de marcas de dente ao redor da mesma.

Também existem teorias em desenvolvimento tentando explicar os efeitos observados em pacientes tratados pela acupuntura, usando os métodos ortodoxos da medicina ocidental. Criou-se assim várias teorias e práticas da acupuntura, incluindo:
  • O método original da MTC,
  • A teoria do Zang Fu, e a
  • Acupuntura médica.
Na medicina ocidental, as dores de cabeça de origem vascular (denotadas pelas veias pulsantes na têmporas) são tratadas tipicamente com analgésicos como aspirina e/ou o uso de agentes como a niacina para dilatar os vasos sanguíneos afetados no couro cabeludo, mas na acupuntura o tratamento para estas mesmas dores é estimular os pontos sensíveis localizados no centro das vascularizações entre os polegares e as palma dos pacientes, os chamados pontos “gu he”. A teoria da acupuntura estabelece que estes pontos estão associados com o sistema digestivo (intestino grosso), e que este reage relaxando algum tipo de estado hiperativo no sistema gastro-intestinal.

Sensações e efeitos da acupuntura

Três tipos de sensação estão associados com este tratamento, sensações estas que são mais fortes que aquelas sentidas por um paciente não sofredor de dor de cabeça vascular:
  • Extrema sensibilidade à dor nos pontos localizados na teia dos polegares,
  • Nas dores mais fortes, um sentimento de náusea que persiste aproximadamente pelo mesmo período que a estimulação administrada nas teias dos polegares,
  • Alívio simultâneo das dores.
Apesar de aceita como tratamento médico na ásia por milênios, a chegada da acupuntura no oeste despertou muita controvérsia, não tendo conseguido explicação segundo os rigores da ciência. Entretanto, em 1997 o National Institutes of Health (NIH, Instituto Nacional de Saúde dos EUA) publicou um estudo sobre a acupuntura que chegava à conclusão de que “existe evidência suficiente do valor da acupuntura para que possa expandir seu uso na medicina convencional e para encorajar mais estudos da sua fisiologia e valor clínico”.

A afirmação do NIH explica que os dados colhidos em favor da acupuntura são tão fortes como outras terapias já aceitas pela medicina ocidental e também que a incidência de efeitos adversos era substancialmente menor do que muitas das drogas aceitas nos procedimentos médicos quando usadas nas mesmas condições. Por exemplo, condições músculo-esqueléticas como a fibromialgia, dores fasciais e o cotovelo de tenista são muito beneficiadas pelo tratamento com acupuntura.

Estas condições dolorosas são comumente tratadas, entre outras coisas, com drogas anti-inflamatórias (aspirin, ibuprofeno) oou com injeções de esteróides. Ambas estas intervenções médicas podem ocasionar efeitos colaterais danosos mas ainda são usados largamente e considerados tratamentos aceitáveis. O consenso do NIH acima referido diz que existem claras evidências de que a acupuntura com agulhas é eficaz para o estado pós-operatório e para as náuseas e vômitos causados pela quimioterapia, e provavelmente também para as náuseas causadas pela gravidez. Existe evidência razoável da eficiência também na dor no pós-operatório de cirurgias bucais, assim como existem estudos mostrando que pode funcionar também no alívio de vários tipos de cor como as de origem menstrual e fibromialgia.

Riscos em potencial da acupuntura

A acupuntura é uma técnica invasiva, e assim não é isenta de riscos. Podem ocorrer hematomas pelo contato acidental de uma agulha em alguma estrutura circulatória. Também pelo contato acidental, algum nervo pode ser danificado. O cérebro pode ser atingido se alguma agulha penetrar muito profundamente na base do cérebro. É também possível adquirir um pneumotórax se alguma agulha penetrar no pulmão, e ocorrer danos aos rins por alguma agulhada profunda nas costas. A penetração indevida de agulhas numa abertura oculta perto osso occipital localizada no centro da fossa posterior do neurocrânio (que pode ocorrer em 10% das pessoas) pode potencialmente resultar em um fatal hemopericárdio (Efusão de sangue dentro do pericárdio).

Existem alertas nos textos sobre acupuntura a respeito tanto da profundidade e o ângulo em que as agulhas devem ser inseridas. A intenção por trás destes cuidados é evitar que as agulhas penetrem perigosamente no corpo do paciente. A acupuntura estimula a produção do hormônio adenocorticotrófico (ACTH) e da ocitocina em alguns pacientes, o que pode levar a danos em fetos, se a mulher estiver grávida. Agulhas que não estiverem bem esterilizadas podem transferir doenças como HIV e hepatite.

Em alguns casos, ao tratar a dor ou usando a acupuntura como anestesia, uma leve corrente elétrica pode ser aplicada às agulhas. Isto estimula as células dos nervos na área das agulhas, de forma a diminuir a quantidade dos elementos químicos necessários para transmitir os sinais. Este tipo de estimulação, se prolongada acima de certos limites, pode causar danos irreversíveis.

Danos severos causados pela acupuntura são muito raros, mas podem acontecer. Acupunturistas experientes, bem treinados e licenciados têm menos probabilidade de machucar um paciente. Entretanto, em muitos países qualquer pessoa pode se auto-denominar acupunturista, não havendo requisitos legais a respeito do treinamento e educação, não havendo também entidades de classe que regulamentem ou fiscalizem os profissionais do ramo, tornando muito difícil avaliar o real valor das licenças e treinamentos dos acupunturistas.

Ainda na Inglaterra, o NIH faz o seguinte aviso a respeito dos riscos associados com a acupuntura: “Efeitos colaterais da acupuntura são extremamente pequenos, e freqüentemente menores do que dos outros tratamentos”. Esta informação foi legitimada por um estudo feito no Reino Unido com 2.000 acupunturistas afaliados em mais de 34.000 tratamentos, onde nenhum efeito adverso foi constatado e apenas 43 casos foram considerados como de pequenos efeitos colaterais.

Legislação inglesa e americana sobre a acupuntura

Na Inglaterra, o British Acupuncture Council (BacC, Conselho Britânico de Acupuntura) observa o Code of Safe Practice (código da prática segura) que estabelece padrões rigorosos de higiene e esterilização para os equipamentos. Os membros deste conselho usam apenas agulhas pré-esterilizadas e que são descartadas logo depois de usadas. Padrões similares são aplicados na maioria das jurisdições dos EUA.

As leis médicas nos Estados Unidos a respeito da acupuntura variam muito de estado para estado. Notadamente, os estados mais ao oeste (Havaí e a Califórnia, em especial) adotaram os regulamentos mais abrangentes e profundos a respeito da técnica.

Em outros estados (aqueles mais ao leste) os médicos podem praticar acupuntura mesmo sem nenhum treinamento específico. Alguns estados exigem que os acupunturistas trabalhem apenas como assistentes de um médico, mesmo que este médico não tenha qualquer treinamento em acupuntura. Em contraste, o Havaí proibe que os médicos pratiquem acupuntura a não ser que tenham recebido treinamento específico e tenham demonstrado competência na área.

Nos EUA existe o National Certification Commission for Acupuncture and Oriental Medicine, ou seja, Comissão Nacional de Certificação para a Medicina Oriental e Acupuntura. Esta entidade testa os praticantes para assegurar-se de que eles tenham conhecimento suficiente da medicina chinesa. Cada estado tem suas próprias leis para licenciar a prática de cada profissional, sendo que muitos estados fazem testes para avaliar o profissional antes de emitir a licença. A maior parte dos acupunturistas americanos usam agulhas esterilizadas e descartáveis. Os que usam agulhas reutilizáveis fazem a esterilização numa autoclave, mas esta prática está diminuindo devido ao custo, tempo e a possibilidade de falha na esterilização das agulhas.

Acupuntura e psicanálise

A acupuntura, em si, não cura as doenças, apenas ajuda o paciente a equilibrar seus aspectos físicos e mentais. Da mesma forma que pode ser útil como auxiliar nas cirurgias e nos demais tratamentos médicos, pode ser também especialmente útil nos tratamentos que envolvam o lado emocional e psicológico.

Por exemplo, pode ser utilizada para axxiliar no tratamento de vícios como fumo, álcool, drogas e dependência química, colaborando nos tratamentos de desintoxicação e fortalecimento do corpo e o lado emocional facilitando que o paciente aumente sua capacidade de lidar com o stress e a ansiedade.

Ao equilibrar o organismo e diminuir as tensões emocionais, a acupuntura auxiliar sobremaneira nos tratamentos psicanalíticos, evitando o uso de drogas utilizadas tradicionalmente pelos psiquiatras com a mesma finalidade, e com muito menos efeitos colaterais e dependência.

Publicado em 25/03/2009 às 18:05 hs, atualizado em 01/07/2016 às 10:51 hs


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